Questão de ponto de vista e de Geografia: bertalha-coração (Anredera cordifolia) – solução ou problema?

Boa Noite,

Ontem estava procurando mais informações sobre a planta com a qual trabalho/pesquiso, a bertalha-coraçãoAnredera cordifolia (Ten.) Steenis, Basellaceae – e, eis que encontro um vídeo, que, ao mesmo tempo, é um sonho e um pesadelo!

Explico-me: há mais de um mês atrás, tivemos uma forte geada em PoA, que queimou quase todas as folha de bertalha-coração do Sítio Capororoca, de onde comprávamos as folhas para a pesquisa. Desde então, seguimos numa empreitada atrás de outras fontes de folha! Graças aos familiares e amigos(as), problema parcialmente resolvido!

Voltando ao vídeo, nele aparece uma imensidão de folhas, com muiiitas flores!!!! Um sonho, o PARAÍSO para nós!!! O tormento, o pesadelo, entretanto, para a Austrália.

É uma questão de Geografia, pode-se dizer, de um ponto de vista simpificado, aqui a espécie é nativa, não causa problemas (não é uma regra, mas até agora não achei nenhum relato de problemas com a espécie). Na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e outros vários países, todavia, é tida como espécie invasora de difícil controle, sendo proibidos o comérico e a propagação em alguns deles. É como o aspargo-de-jardim ou aspargo-samambaia (Apargus sp.), que foi introduzido como ornamental, mas que compete com as espécies nativas, e que encontrou um ambiente muiito propício ao seu desenvolvimento. Entretanto, acarreta, danos a nossa biodiversidade.

Para entender um pouquinho essa situação: as duas espécies, no contexto descrito (bertalha-coração na Austrália e aspargo-de-jardim no Brasil), são exóticas (foram trazidas de outro país, onde são nativas), de fácil propagação e de difícil controle. A bertalha-coração não dá frutos (não há nenhum relato na literatura), contudo se reproduz de forma vegetativa/assexuda, através de seus tubérculos, de onde saem novos ramos, com mais folhas e, no ambiente propício, isso ocorre de forma rápida. Já o aspargo-de-jardim, dá muitas sementes (reprodução sexuda), que são facilmente propagadas pelos animais (atuam como vetores).

Essas questões de espécies exóticas e nativas, suas relações com o ambiente natural e/ou com o no qual foram inseridas, co-evolução, competição, ecologia, entre outros, merecem um maior aprofundamento, aqui passei de forma bem superficial. Em outro momento, retomo o tema, da forma que merece.

Por hora, voltemos à questão do vídeo da bertalha-coração.

A minha alegria: quantidades infindáveis de matéria-prima!!!! A tristeza de lá: quantidades infindáveis de um problema… A minha singela sugestão de solução: me contratem!!! Preciso de grandes quantidades de biomassa!!! 😀 Além de ser uma espécie medicinal, é também alimentícia! E deliciosa!!!

O link do vídeo: clique aqui, mas já aviso: há cenas muito fortes!!! (a pesquisadora ensina como matar a planta ….)

Sobre a bertalha-coração:

Tese do Valdely Kinupp (2007): clique aqui

Artigo do KINUPP, AMARO & BARROS (2004): clique aqui

Em breve, mais informações sobre essa espécie. Para mim, tãoo querida!!! 😛

Comecei esse post de forma bem simples, só para compartilhar uma situação de ambiguidade e eis que meu lado bióloga começou a trabalhar, querendo aprofundar os temas envolvidos. Enfim, tá tarde, vou dormir. Em outro momento aprofundo mais!

Abaixo: fotos das folhas e inflorescência da bertalha-coração.

Abraços,
Sara
  

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“Edible Plant Project” – Projeto Plantas Comestíveis

Boa Tarde, Pessoal

Estou, aos poucos, retomando o blog. Estava procurando mais informações sobre as PANCs, hortaliças espontâneas, plantas comestíveis, wild edible food, enfim, e achei um site de um projeto bem interessante, na Flórida, EUA, o

“Edible Plant Project”.

Sobre o projeto, da página deles:

The Edible Plant Project (EPP) is a volunteer-based, 501c3 nonprofit organization working to promote edible landscaping and local food abundance in North Central Florida. The goal of the EPP is to create positive alternatives to the unsustainable food system in this country.”

[Tradução literal: “O Projeto de Plantas Comestíveis (PPE – em inglês) é baseado em trabalho voluntário, a organização 501c3 sem fins lucrativos trabalhando para promover o paisagismo comestível e abundância local de alimentos no norte da Flórida Central. O objetivo do EPP é criar alternativas positivas para o sistema alimentar insustentável neste país.”]

O site tem boas informações sobre as plantas e, junto da explicação de cada uma, tem o nome científico, o que ajuda bastante, já que nome popular varia conforme cultura/localidade. Tem várias plantas que temos por aqui e tem links interessantes para cada uma.

Para acessar o site: clique aqui

Recomendo dar uma olhada!

Abraços,
Sara

P&C: Oficina sobre Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCs), com a Silvana Bohrer

Hoje tivemos no curso técnico em Panificaçãoe Confeitaria (IFRS-PoA) uma Oficina sobre Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCs), com a Eng.Agr. Silvana Bohrer, do Sítio Capororoca (Lami-PoA), direcionada aos alunos(as) do curso P&C.

A Silvana trouxe algumas espécies para apresentar às pessoas presentes: hibisco (Hibiscus sp.), língua-de-vaca (Rumex sp.), urtiga (Urtica dioica), bertalha (Anredera sp.). Falou sobre a importância do uso dessas plantas, do resgate dos saberes tradicionais, do respeito à biodiversidade nativa, de uma alimentação mais balanceada – a maioria das espécies contém vários nutrientes necessários ao nosso organismo.

Após essa primeira conversa, começou a parte prática:

 – pão caseiro com extrato de folhas de urtiga;

– pão doce com extrato de folhas de bertalha;

– cuca rápida com hibisco;

– panquecas com com extrato de folhas de língua-de-vaca; recheio: folhas de língua-de-vaca e de urtiga

Link das fotos e post no blog do curso: clique aqui

 
  
 
 
 
 
 
 
 
 Abraços,
Sara

Livro do RAPOPORT, MARZOCCA & DRAUSAL (2009): MALEZAS COMESTIBLES DEL CONO SUR Y OTRAS PARTES DEL PLANETA

Boa Noite!

Segue mais uma publicação dos pesquisadores RAPOPORT, MARZOCCA & DRAUSAL, é o livro MALEZAS COMESTIBLES DEL CONO SUR Y OTRAS PARTES DEL PLANETA, de 2009.

Ainda estou me apropriando do livro, mas do que já conferi, recomendo muitíssimo!

Para baixar: RAPOPORT-MARZOCCA-DRAUSAL_2009_Malezas-comestibles-del-cono-sur-INTA

Bom Proveito!

Abraços,
Sara

Ora-pro-nobis (Pereskia aculeata – Cactaceae): mais uma reportagem

Achei mais uma reportagem sobre a ora-pro-nobis ou carne-de-pobre, a Pereskia aculeata Mill, da família botânica Cacataceae.

É um cactos comestível, com alto teor de proteínas, de forte potencial ornamental.

A reportagem é com o pequisador da EMBRAPA Hortaliças, Nuno Madeira, e foi publicada na página do Globo Rural.

“Onde se planta, nasce. Quando cresce, serve de proteção e alimento. Repleta de flores, ainda deixa o ambiente mais bonito. Por meio da hortaliça ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), a natureza oferece múltiplos benefícios ao ser humano, o que seria motivo suficiente para a escolha de seu nome popular. Mas, conta-se que assim foi batizada pelo costume de ser colhida no quintal de uma igreja, para ser preparada para o almoço, quando o padre iniciava a reza final da missa da manhã.” [continua]

Para ler essa reportagem: clique aqui

Outro post relacionado: Flores de ora-pro-nobis

Outra reportagem, sugerida por Olete Maia, no post das flores, com receita de pão com ora-pro-nobis

Abaixo, fotos minhas, tiradas em março e abril/2012, quando a ora-por-nobis estava em plena florada!

Abraços,
Sara

Embrapa quer resgatar cultivo de hortaliças não convencionais [Blog Estágio Sítio do Herdeiros]

Do blog Estágio Sítio do Herdeiros, Embrapa quer resgatar cultivo de hortaliças não convencionais

Parte do post:

“Taióba, maxixe, serralha, ora-pro-nóbis e araruta. Atualmente, essas hortaliças são pouco conhecidas e foram praticamente descartadas da cadeia produtiva. Mas elas já fizeram parte importante da dieta dos brasileiros, no passado. De acordo com o pesquisador Nuno Rodrigo Madeira, as hortaliças não convencionais têm distribuição limitada, restrita a determinadas localidades ou regiões. Ele explica que o uso dessas espécies perdeu espaço no mercado com a urbanização da sociedade brasileira e a padronização do consumo.” [ continua]

Leia na íntegra: clique aqui

Post relacionado: Manual e Cartilha sobre Hortaliças Não-Covencionais/ Tradicionais (EMBRAPA Hortaliças e MAPA, 2010)

Abraços,
Sara

Los bosques andino-patagónicos como fuentes de alimento (RAPOPORT & LADIO, 1999)

Olá,

Segue mais uma sugestão de artigo, sobre as plantas alimentícias espontâneas, yuyos, PANCs (Plantas Alimentícias Não-Convencinais), dos pesquisadores Eduardo Rapoport e Ana Ladio, da Universidad Nacional del Comahue, na Argentina.

“Los bosques andino-patagónicos como fuentes de alimento

RESUMEN
Se presenta información sobre la contribución potencial de los productos no maderables provenientes del bosque para la seguridad alimentaria de los países en desarrollo. Las comunidades naturales de plantas normalmente contienen 10% de especies vasculares nativas, las cuales pueden ser comestibles. Estas especies en hábitats disturbados pueden incrementarse a 20-30%. Si sólo las malezas son consideradas la relación puede alcanzar el 30-90%. Las frecuencias de individuos comestibles obtenidas del método “punta-zapato” en bosques suburbanos de Austrocedrus chilensis en Bariloche, Argentina, registradas a lo largo de transectas, varía del 15 al 66%. La probabilidad de encontrar al menos una planta comestible en muestras aleatorias de 0.25 m2 (calculadas de n = 317 muestras) es 0.675. Esta probabilidad, calculada por hectárea, se aproxima a 1.0. En el oeste de la Patagonia el número de malezas comestibles exóticas suma más de 90 especies. La biomasa comestible promedio aprovechable en lotes vacantes de Bariloche es de 1.253 ± 392.8 kg./ha (193 muestras de 1/4 m2). Se incluye una tabla conteniendo información cuantitativa sobre frecuencias de malezas comestibles, y una lista de más de 60 plantas alimenticias nativas de los bosques de la Patagonia.
Palabras claves: plantas comestibles, bosque templado, malezas comestibles, biomasa.

Para acessar:  clique aqui (Revista BOSQUE)

Abraços e Boa Leitura!
Sara

Flores da ora-pro-nobis, Pereskia cf. aculeata, Cactaceae

Fotos das flores de ora-pro-nobis, Pereskia cf. aculeata Mill, Cactaceae

Data das fotos: 24/03/2012

Link das fotos: clique aqui

Prova de Introdução à Confeitaria: Rocambole à Brasileira

Rocambole à Brasileira

Pão-de-ló salgado: massa aerada = Prova de Introdução à Confeitaria (IFRS).

Com folhas de bertalha-coração, Anredera cordifolia (Ten.) Steenis, Basellaceae, espécie nativa.

Data da prova: 28/11/2011

Fotos: clique aqui

Manual e Cartilha sobre Hortaliças Não-Covencionais/ Tradicionais (EMBRAPA Hortaliças e MAPA, 2010)

Olá

Compartilho um material bem recente e bastante interessante, da EMBRAPA Hortaliças e do MAPA, de 2010, sobre Hortaliças Não-Convencionais/ Tradicionais.

Cartilha: refere-se projeto realizado em MG pela EMBRAPA Hortaliças e apresentaq receitas para promover o consumo: clique aqui para baixar

Manual: refere-se mais aos sistemas de produção: clique aqui para baixar

Agradeço ao pesquisador da EMBRAPA Hortaliças, Nuno R. Madeira!

Abraços e bom proveito!